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Compliance Científica 29 de abril de 2026 7 min de leitura

Como Declarar Uso de IA em Artigo Científico: Modelo Pronto 2026

Por Lian Brandão, Prof. Titular IFPA · Atualizado em 29/04/2026

Resposta direta Para declarar uso de IA em artigo científico em conformidade com a Portaria CNPq nº 2.664/2026, inclua uma seção titulada "Declaração de uso de IA" (após a metodologia ou antes das referências) com 4 elementos obrigatórios: (1) ferramenta utilizada e versão, (2) etapas em que foi empregada, (3) afirmação de que a revisão crítica e o conteúdo final são de responsabilidade exclusiva do autor, (4) reafirmação de que a IA não é coautora. Modelo pronto pra copiar abaixo.

Por que declarar uso de IA é obrigação ética e legal

A Portaria CNPq nº 2.664/2026 tornou a declaração obrigatória em pesquisas financiadas com recursos públicos brasileiros. Diretrizes internacionais como ICMJE, COPE e WAME adotam padrão similar. Periódicos brasileiros e estrangeiros já cobram a declaração no formulário de submissão.

A omissão pode resultar em retratação do artigo, perda de bolsa CNPq, processo administrativo na instituição e prejuízo reputacional. Declarar transparentemente protege o autor.

Modelo pronto pra copiar (versão padrão)

Use a estrutura abaixo como ponto de partida. Adapte os colchetes ao seu caso. Inserir antes da seção de Referências ou imediatamente após a Metodologia, conforme orientação do periódico.

Modelo padrão · CNPq 2.664/2026 DECLARAÇÃO DE USO DE INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL Em conformidade com a Portaria CNPq nº 2.664, de 22 de janeiro de 2026, e com as boas práticas científicas internacionais (ICMJE, COPE), declaro(amos) que utilizei(amos) a(s) seguinte(s) ferramenta(s) de inteligência artificial generativa na elaboração deste manuscrito: - [NOME DA FERRAMENTA E VERSÃO, ex: Science Pro v1.0] Etapa: [DESCREVER, ex: estruturação inicial do manuscrito a partir de PDFs próprios; geração de resumo trilíngue PT/EN/ES; formatação preliminar de referências em ABNT] - [SEGUNDA FERRAMENTA, se aplicável] Etapa: [DESCREVER] A revisão crítica de todo o conteúdo gerado, a validação factual das informações, o cruzamento com a literatura primária, a adequação ética e a versão final são de responsabilidade exclusiva do(s) autor(es). A(s) ferramenta(s) de inteligência artificial não é(são) coautora(s) deste trabalho.

Modelo curto (para periódicos com limite de palavras)

Quando o periódico restringe espaço ou pede a declaração em nota de rodapé, use a versão concisa:

Modelo conciso · 60 palavras DECLARAÇÃO DE USO DE IA Os autores utilizaram [FERRAMENTA, VERSÃO] para [ETAPA]. A revisão crítica e o conteúdo final são de responsabilidade integral dos autores. A IA não é coautora deste trabalho, em conformidade com a Portaria CNPq nº 2.664/2026 e os critérios ICMJE.

Modelo para o caso "não usei IA"

Cada vez mais periódicos pedem declaração mesmo quando a IA não foi usada (afirmação negativa). Use:

Modelo · "Não utilizamos IA" DECLARAÇÃO DE USO DE IA Os autores declaram NÃO terem utilizado ferramentas de inteligência artificial generativa em qualquer etapa da elaboração deste manuscrito (concepção, redação, análise, formatação ou tradução).

Onde inserir a declaração no artigo

A localização varia por periódico. As 3 opções mais comuns:

  1. Após a Metodologia, antes dos Resultados — formato preferido em saúde e ciências exatas, quando a IA foi usada para análise/processamento.
  2. Antes das Referências, depois da Conclusão — formato comum em humanas e sociais aplicadas, especialmente quando a IA foi usada na redação.
  3. Em nota de rodapé na primeira página — alguns periódicos preferem visibilidade desde o início.

Em caso de dúvida, verifique as instruções aos autores do periódico de destino e, na ausência de orientação, opte pela posição "antes das referências" — é a mais visível e a que segue o padrão da Portaria.

Checklist final antes de submeter

Science Pro já entrega declaração de IA pronta

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Exemplos de declaração para diferentes cenários

Cenário 1: Usei IA para tradução do abstract para inglês

Os autores utilizaram o tradutor automático DeepL Pro para elaborar a versão inicial do abstract em inglês. A revisão linguística e adequação técnica do texto traduzido foi realizada manualmente pelos autores. A versão final é de responsabilidade integral dos autores.

Cenário 2: Usei IA para estruturar o manuscrito a partir do meu TCC

Os autores utilizaram a plataforma Science Pro (versão 1.0, abril/2026) para estruturação inicial do manuscrito a partir do TCC original e de PDFs de literatura complementar selecionados pelos próprios autores. O conteúdo gerado constituiu base redacional preliminar, integralmente revisada pelos autores quanto a conteúdo, adequação metodológica e veracidade factual. A versão final é de responsabilidade exclusiva dos autores.

Cenário 3: Usei ChatGPT pra revisar estilo de trechos

Os autores utilizaram o ChatGPT-4 (OpenAI, versão de março/2026) para sugestões pontuais de revisão estilística em trechos específicos da Discussão. As sugestões foram avaliadas individualmente e aceitas, modificadas ou rejeitadas pelos autores. A versão final é de responsabilidade integral dos autores.

Comparação rápida: declarações que passam vs. que reprovam

Para entender o que separa uma declaração robusta de uma frágil, compare os exemplos abaixo. Eles mostram o mesmo cenário (uso de IA na redação) tratado de duas formas — uma adequada à Portaria CNPq, outra que recebe pedido de revisão pelo editor.

Declaração FRACA (passível de reprovação)

"Os autores utilizaram inteligência artificial na elaboração deste trabalho."

Problemas: não nomeia a ferramenta, não detalha as etapas, não afirma responsabilidade. Pode ser interpretada como ocultação parcial e pedido de retratação se o uso for descoberto posteriormente.

Declaração FORTE (compatível com Portaria 2.664/2026)

"Os autores utilizaram a plataforma Science Pro (versão 1.0, abril/2026) para estruturação inicial do manuscrito a partir do TCC original e PDFs de literatura selecionados pelos próprios autores. O conteúdo gerado constitui base redacional preliminar, integralmente revisada pelos autores quanto a veracidade factual, adequação metodológica, originalidade e compliance ético. A versão final é de responsabilidade exclusiva dos autores. A IA não é coautora deste trabalho, em conformidade com a Portaria CNPq nº 2.664/2026 e os critérios ICMJE."

Por que funciona: nomeia a ferramenta com versão, especifica a etapa, afirma a revisão crítica humana, cita base legal e descarta autoria da IA. Cobre as três obrigações da Portaria e dá segurança a editor, banca e leitor.

O que fazer se descobrir que esqueceu de declarar uso de IA

Já submetido ou já publicado sem declaração? Existem 3 cenários possíveis e cada um tem encaminhamento próprio:

  1. Artigo ainda em revisão (sem decisão final): envie email ao editor explicando o uso, anexe a declaração corrigida e peça pra incluir na versão revisada. Em 90% dos casos é aceito sem prejuízo, especialmente se a iniciativa partiu do autor.
  2. Artigo aceito mas ainda não publicado: contate a editoria pedindo correção antes da publicação final. Se a editoria recusar, considere retirar o artigo voluntariamente — é melhor que retração posterior.
  3. Artigo já publicado: publique uma "Errata" no próprio periódico com a declaração que faltou. A maioria dos periódicos aceita errata por iniciativa do autor sem maiores consequências, especialmente se acompanhada de explicação ética e clara.

O ponto crítico é nunca tentar ocultar — a comunidade científica é pequena e há ferramentas de detecção de uso de IA que evoluem mensalmente. Transparência protege o autor.

Erros comuns ao declarar uso de IA

Perguntas Frequentes

Onde escrever a declaração de uso de IA no artigo?

Em uma seção específica chamada "Declaração de uso de IA" (ou "Declaração de uso de inteligência artificial"), inserida após a Metodologia ou imediatamente antes das Referências. Alguns periódicos pedem em nota de rodapé na primeira página.

Preciso declarar se usei IA só para revisar gramática?

Para corretores ortográficos comuns (Word, Google Docs), não. Para ferramentas que reescrevem trechos ou geram texto novo (ChatGPT, Grammarly Pro com IA), sim, é prudente declarar. A regra geral: se a IA gerou texto que ficou no artigo, declare.

Posso declarar 'utilizei IA' sem nomear a ferramenta?

Não. A Portaria CNPq 2.664/2026 exige identificação específica. Você deve nomear a ferramenta e, quando aplicável, a versão. Exemplos válidos: "Science Pro versão 1.0", "ChatGPT-4 da OpenAI", "Claude 4.6 Sonnet da Anthropic".

A IA pode ser autora do artigo?

Não. Tanto a Portaria CNPq 2.664/2026 quanto os critérios ICMJE (International Committee of Medical Journal Editors) deixam claro que IA não pode ser autora. Apenas pessoas naturais que contribuíram, redigiram, revisaram criticamente e aprovaram a versão final são autores.

Devo declarar uso de tradutor automático como o DeepL?

Sim, especialmente se o tradutor foi usado para o abstract em inglês ou outro trecho substantivo do artigo. A maioria das diretrizes considera tradutores automáticos modernos como ferramentas de IA generativa.

O periódico pode rejeitar artigo só pela declaração de uso de IA?

Em regra não. Periódicos sérios não rejeitam pelo USO declarado da IA, e sim pela falta de declaração ou pelo uso desproporcional (ex: artigo majoritariamente gerado por IA sem revisão crítica visível). Declarar transparentemente é proteção, não risco.