Como Declarar Uso de IA em Artigo Científico: Modelo Pronto 2026
Por que declarar uso de IA é obrigação ética e legal
A Portaria CNPq nº 2.664/2026 tornou a declaração obrigatória em pesquisas financiadas com recursos públicos brasileiros. Diretrizes internacionais como ICMJE, COPE e WAME adotam padrão similar. Periódicos brasileiros e estrangeiros já cobram a declaração no formulário de submissão.
A omissão pode resultar em retratação do artigo, perda de bolsa CNPq, processo administrativo na instituição e prejuízo reputacional. Declarar transparentemente protege o autor.
Modelo pronto pra copiar (versão padrão)
Use a estrutura abaixo como ponto de partida. Adapte os colchetes ao seu caso. Inserir antes da seção de Referências ou imediatamente após a Metodologia, conforme orientação do periódico.
Modelo curto (para periódicos com limite de palavras)
Quando o periódico restringe espaço ou pede a declaração em nota de rodapé, use a versão concisa:
Modelo para o caso "não usei IA"
Cada vez mais periódicos pedem declaração mesmo quando a IA não foi usada (afirmação negativa). Use:
Onde inserir a declaração no artigo
A localização varia por periódico. As 3 opções mais comuns:
- Após a Metodologia, antes dos Resultados — formato preferido em saúde e ciências exatas, quando a IA foi usada para análise/processamento.
- Antes das Referências, depois da Conclusão — formato comum em humanas e sociais aplicadas, especialmente quando a IA foi usada na redação.
- Em nota de rodapé na primeira página — alguns periódicos preferem visibilidade desde o início.
Em caso de dúvida, verifique as instruções aos autores do periódico de destino e, na ausência de orientação, opte pela posição "antes das referências" — é a mais visível e a que segue o padrão da Portaria.
Checklist final antes de submeter
- Nomeei a ferramenta específica (não apenas "IA" genérica)?
- Inclui a versão ou data de uso, quando aplicável?
- Especifiquei em qual etapa cada ferramenta foi empregada?
- Afirmei que a revisão crítica e o conteúdo final são minha responsabilidade?
- Declarei que a IA não é coautora?
- Citei a Portaria CNPq nº 2.664/2026 (recomendado)?
- Preenchi o formulário de submissão do periódico (se aplicável)?
- Mantive registro dos prompts/interações pra eventual auditoria?
Science Pro já entrega declaração de IA pronta
Cada manuscrito gerado vem acompanhado de Guia de Revisão Autoral com modelo de declaração CNPq 2.664/2026 personalizado pra sua pesquisa. Compliance integrada desde o início.
Conhecer Science Pro →Exemplos de declaração para diferentes cenários
Cenário 1: Usei IA para tradução do abstract para inglês
Cenário 2: Usei IA para estruturar o manuscrito a partir do meu TCC
Cenário 3: Usei ChatGPT pra revisar estilo de trechos
Comparação rápida: declarações que passam vs. que reprovam
Para entender o que separa uma declaração robusta de uma frágil, compare os exemplos abaixo. Eles mostram o mesmo cenário (uso de IA na redação) tratado de duas formas — uma adequada à Portaria CNPq, outra que recebe pedido de revisão pelo editor.
Declaração FRACA (passível de reprovação)
Problemas: não nomeia a ferramenta, não detalha as etapas, não afirma responsabilidade. Pode ser interpretada como ocultação parcial e pedido de retratação se o uso for descoberto posteriormente.
Declaração FORTE (compatível com Portaria 2.664/2026)
Por que funciona: nomeia a ferramenta com versão, especifica a etapa, afirma a revisão crítica humana, cita base legal e descarta autoria da IA. Cobre as três obrigações da Portaria e dá segurança a editor, banca e leitor.
O que fazer se descobrir que esqueceu de declarar uso de IA
Já submetido ou já publicado sem declaração? Existem 3 cenários possíveis e cada um tem encaminhamento próprio:
- Artigo ainda em revisão (sem decisão final): envie email ao editor explicando o uso, anexe a declaração corrigida e peça pra incluir na versão revisada. Em 90% dos casos é aceito sem prejuízo, especialmente se a iniciativa partiu do autor.
- Artigo aceito mas ainda não publicado: contate a editoria pedindo correção antes da publicação final. Se a editoria recusar, considere retirar o artigo voluntariamente — é melhor que retração posterior.
- Artigo já publicado: publique uma "Errata" no próprio periódico com a declaração que faltou. A maioria dos periódicos aceita errata por iniciativa do autor sem maiores consequências, especialmente se acompanhada de explicação ética e clara.
O ponto crítico é nunca tentar ocultar — a comunidade científica é pequena e há ferramentas de detecção de uso de IA que evoluem mensalmente. Transparência protege o autor.
Erros comuns ao declarar uso de IA
- Usar termos genéricos ("ferramenta de IA", "modelo de linguagem") em vez do nome específico — descumpre a exigência de identificação.
- Omitir a versão quando relevante — para ferramentas que evoluem rapidamente, a versão importa pra reproducibilidade.
- Esquecer de citar a Portaria CNPq em pesquisas financiadas com recurso público — exposição desnecessária a questionamento.
- Declarar genericamente "usei pra escrever o artigo" — falta especificidade. Detalhe: redação? formatação? geração de tabelas?
- Não preencher o formulário de submissão do periódico — vários periódicos pedem dupla declaração (formulário + manuscrito).
Perguntas Frequentes
Onde escrever a declaração de uso de IA no artigo?
Em uma seção específica chamada "Declaração de uso de IA" (ou "Declaração de uso de inteligência artificial"), inserida após a Metodologia ou imediatamente antes das Referências. Alguns periódicos pedem em nota de rodapé na primeira página.
Preciso declarar se usei IA só para revisar gramática?
Para corretores ortográficos comuns (Word, Google Docs), não. Para ferramentas que reescrevem trechos ou geram texto novo (ChatGPT, Grammarly Pro com IA), sim, é prudente declarar. A regra geral: se a IA gerou texto que ficou no artigo, declare.
Posso declarar 'utilizei IA' sem nomear a ferramenta?
Não. A Portaria CNPq 2.664/2026 exige identificação específica. Você deve nomear a ferramenta e, quando aplicável, a versão. Exemplos válidos: "Science Pro versão 1.0", "ChatGPT-4 da OpenAI", "Claude 4.6 Sonnet da Anthropic".
A IA pode ser autora do artigo?
Não. Tanto a Portaria CNPq 2.664/2026 quanto os critérios ICMJE (International Committee of Medical Journal Editors) deixam claro que IA não pode ser autora. Apenas pessoas naturais que contribuíram, redigiram, revisaram criticamente e aprovaram a versão final são autores.
Devo declarar uso de tradutor automático como o DeepL?
Sim, especialmente se o tradutor foi usado para o abstract em inglês ou outro trecho substantivo do artigo. A maioria das diretrizes considera tradutores automáticos modernos como ferramentas de IA generativa.
O periódico pode rejeitar artigo só pela declaração de uso de IA?
Em regra não. Periódicos sérios não rejeitam pelo USO declarado da IA, e sim pela falta de declaração ou pelo uso desproporcional (ex: artigo majoritariamente gerado por IA sem revisão crítica visível). Declarar transparentemente é proteção, não risco.